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domingo, 22 de abril de 2012

O teu caminho

daqui.
A viagem teve o seu terminus num local onde o rio e o mar confluem sem mágoas.

O ramo de flores que consigo trazia, cujo aroma perfumava a brisa vespertina que se sentia, foi lançado à água com a gentileza própria de uma deidade.

Qual ser divino de carne e osso, ela procurava a expiação redentora de quem já se sentiu perdido neste mundo que parece não ter fim, e que tantas vezes nos leva a cometer erros nos quais não nos revemos.

Juntamente com as flores, seguiram também as suas mágoas, que por um momento foram capazes de asfixiar o rio que naquele mar desaguava.

Com dificuldade, ofegante, o rio tentava - a todo o custo - recuperar a respiração abalada por aquela tormenta de sentimentos que agora lhe corria nas veias.

Foi com estranheza que vislumbrou a imagem refletida na água asfixiada pela sua dor. Era a sua imagem, indistinta, confusa, irreconhecível.

Com o mesmo peso de uma pena voando ao sabor do vento, ela não tardou a colocar um pé e o outro sobre a superfície do rio, caminhando e deixando-se levar pela corrente.

Caminhava, agora, sem medos nem quaisquer pensamentos repressores, à medida que a sua imagem mudava a cada instante em que a corrente escolhia um rumo diferente para seguir.

A noite cai, e o céu ilumina-se para ti. Não tardes a escolher o teu caminho...


domingo, 13 de março de 2011

A vida é uma viagem



A vida é uma viagem. O senso comum já nos ensinou isso mesmo, que a vida é uma viagem no tempo. Mas desenganem-se aqueles que, ao julgarem as suas vidas estagnadas, inertes, imaginam que a viagem se encontra nas mesmas condições. A vida é uma viagem sem paragens. Aliás, permitam-me a correcção: a vida é uma viagem com uma única paragem. Mas essa espera-nos a todos.
Ao longo do espaço, a Terra desloca-se em torno do Sol. Desloca-se a uma velocidade aproximada de cem mil quilómetros por hora. Mas quando o ano termina, a Terra não voltou ao ponto de origem. E porquê? Porque a Terra não é o único astro em movimento. O próprio Sol desloca-se dentro da nossa Galáxia, que por sua vez também se desloca pelo Universo fora. Estima-se que a nossa Galáxia, a Via Láctea, se desloque a uma velocidade aproximada de dois milhões de quilómetros por hora.
Com estes dados científicos presentes na nossa mente, será difícil imaginar a vida como um processo estático no nosso mundo, em que após um momento a que damos o nome de nascimento, apenas nos poderá esperar um momento denominado fim (perdoem-me o medíocre eufemismo).
A viagem mais bonita que poderemos, então, realizar na nossa vida, será mesmo a viagem para a qual não precisamos de bilhete, nem tão-pouco de bagagem ou das férias que a permitam. E é por isso mesmo que a vida deverá ser sempre encarada com um sorriso. É por isso que a vida é muito mais bela quando gostamos de nós próprios, quando damos valor aos que gostam de nós, quando temos alguém que nos ama e a quem amamos de igual forma. Qualquer viagem poderá ter os seus contratempos, os seus percalços, os seus obstáculos. A vida não será, nunca, uma excepção. Mas com um sentimento de perseverança, qualquer dificuldade será agradavelmente ultrapassada.
Coloquem de parte quaisquer vaidades ou pretensões próprias de quem se julga capaz de carregar sozinho o mundo às costas, pois essa não será uma tarefa simples. Em sentido oposto, procurem sempre no amor a força e o encanto que poderá tornar a vossa viagem a mais perfeita de todas!


terça-feira, 20 de julho de 2010

Menino de palmo e meio


Levantas-te bem cedo, quando o Sol ainda está longe de nascer. Não tens mais que quatro aninhos, a pele queimada pelo astro imperador.

Pões-te a caminho com os teus irmãos, numa jornada repetida dia após dia, onde os sonhos perdem força e o destino tem medo de sorrir.

São cerca de vinte quilómetros a distância que te separa do teu quotidiano. Sob um calor que não teme mostrar a sua força, que não dá tréguas, caminhas pela areia fina do deserto até à barraca que te servirá de abrigo.

Quando me vês, corres até mim com o intuito de me venderes os teus fios feitos à mão. Fico encantado com a beleza dos mesmos, cada um deles carregando uma pequena pedra em forma de coração. Os fios parecem ganhar vida nas tuas pequeninas mãos, com as pedras a reluzirem o esplendor da luz solar. O relógio marca as onze horas da manhã, quando o calor já se torna insuportável no deserto do Saara.

Não hesito um segundo em retirar o dinheiro para te comprar meia dúzia de fios. Pois é num gesto quase mecânico que levas a mão direita ao bolso das tuas calças, e de lá retiras o troco certo para me dares. “Fica com ele”, digo-te espontaneamente. Vejo os teus olhos verdes refulgirem uma última vez, ao mesmo tempo que viras costas e corres para o próximo turista.

Foi na Tunísia que te conheci, menino de palmo e meio.


segunda-feira, 12 de julho de 2010

A viagem


Quinze de Agosto do ano Dois Mil e Oito. Acordas com uma ligeira dor de cabeça, massacrado pelo contínuo calor nocturno. O termómetro do teu relógio despertador marca vinte e oito graus celsius. O teu relógio despertador marca as seis horas da manhã.

Não perdes tempo. Tomas um banho rápido, comes uma fatia de pão torrado e bebes um copo de leite frio. A indumentária é a própria desta época. Calçado confortável, uns calções pelos joelhos e uma t-shirt cor da luz. Num dia quente como o de hoje, não vais querer o Sol a rasgar-te o peito.

Sais à pressa de casa, já com uma mochila às costas e o passaporte na mão. Não havias percorrido quinhentos metros, por uma das sete colinas da tua cidade, quando fazes sinal ao condutor do primeiro táxi que avistas. “Para o aeroporto, por favor”, dizes-lhe, logo após teres proferido o “bom dia” mais áspero do último ano.

A viagem até ao aeroporto decorre sem quaisquer sobressaltos. Já no seu interior, e cumpridas as formalidades necessárias para quem se prepara para levantar voo, diriges-te para o local de embarque.

É num ápice que te vês transportado para o outro lado do oceano. Aterras no Aeroporto de Newark, onde te espera um amigo. Trocam um abraço sentido, e logo seguem caminho no seu carro americano. O destino encontra-se em Englewood, a cerca de vinte milhas do Aeroporto.

O teu amigo roda a chave na ignição, a curta viagem chegou ao fim. Abres a porta do carro para sair, quando o relógio marca as treze horas. Cruzas o portão do Brookside Cemetery, sob o olhar atento do teu amigo, que entretanto já se encostou à chapa quente do seu bólide.

As saudades apertam-te o coração, o sangue circula pelas veias mais veloz que nunca. Sentes um nó na garganta, uma vontade imensa de chorar. Os duzentos metros que andaste a partir da entrada, pareceram-te os mais de cinco mil quilómetros de voo que havias acabado de fazer.

Foi em frente da lápide que almejavas reencontrar, que a primeira lágrima caíu no solo verdejante. Aninhas-te a seu lado, tentando alcançar a sua respiração.

“Quinze de Agosto do ano Dois Mil e Sete. Tua para sempre…”


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Por entre as estrelas...


Percorríamos o Universo, em busca da felicidade eterna. Havíamos descoberto o elixir da juventude: viajar acima da velocidade da luz mantinha-nos jovens. A Paixão que nos unia, mantinha-nos vivos.

Para trás havia ficado a Terra, Marte, Júpiter, e todos os outros astros que constituem o Sistema Solar. O nosso combustível era o Amor, e nada nos fazia parar. Viajámos por toda a Via Láctea, seduzidos pelo sentimento que nos ligava.

O Universo era único, de um esplendor nunca antes por nós imaginado. As estrelas insondadas sucediam-se, cada uma mais brilhante e impetuosa que a anterior.

Tivesse eu o dom da ubiquidade, e num instante os mistérios do desconhecido passariam a fazer parte do meu diário.

Contar-te-ia histórias de encantar, que dariam cor à nossa vida. A viagem seria eterna, tal qual a felicidade que desejávamos.

No entanto, foi num dos recantos do imenso Universo que nos perdemos um do outro.

Por entre as estrelas, continuo a chamar por ti.

Por entre as estrelas, choras a minha ausência.


quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Percorrendo o infinito


Acordado, a olhar para o infinito, o rosto apoiado na mão esquerda...

Sonho contigo. Conheço-te numa viagem, em que sou viajante solitário...

Amor à primeira vista, uma empatia impossível de traduzir em palavras...

Será esta viagem, uma viagem sem destino? Ou antes uma viagem com um final chamado destino?

Por momentos, sinto-me apaixonado... o inconsciente sussurra: “não te distraias, continua…”.

Passamos horas a conversar, trocamos mil e uma palavras… cada uma delas ferindo-nos de paixão.

Se o meu nome for Sol, o teu nome será Lua… e andaremos de mão dada para sempre, percorrendo o infinito.

Desperto. Ainda sinto o teu perfume…